Quarta 20-08-2008

 
 
 
 

INVESTIR EM S.TOMÉ

     São Tomé e Príncipe tem-se virado, com sucesso, para o turismo como uma das bases do seu desenvolvimento. Nos últimos anos, multiplicou-se o número de unidades hoteleiras e existem projectos para a construção de novos empreendimentos, estando previstas obras importantes no domínio da hotelaria, com a abertura de novas e luxuosas unidades e de um casino.

     Com a recente descoberta de jazidas de petróleo nas suas águas abriram-se novas perspectivas para o futuro. Nos últimos três anos, de quatro blocos num total de vinte e cinco da zona conjunta de exploração, já couberam a S. Tomé cerca de 60 milhões de euros, um valor praticamente igual ao produto interno bruto.

     As autoridades de S.Tomé apostam fortemente numa economia aberta e liberal, o que passa também pela área financeira, de que a criação de um centro de negócios off-shore e de uma zona franca são exemplos. Vai assim longe o tempo em que este pequeno país africano, dispondo de uma situação geográfica privilegiada, a 300 km da costa ocidental de África, a meio caminho entre a Europa e a América do Sul, sobre a linha do Equador, dispondo de um clima e uma beleza natural excepcionais, dependia da monocultura, primeiro a cana-de-açúcar e depois o cacau.

    Com uma população de cerca de 160.000 habitantes e uma área total de 960 Km2, mais de metade da qual cultivada e uma área florestal de 270 Km2, S. Tomé e Príncipe vem apresentando, nos últimos anos, apreciáveis taxas de crescimento do seu produto interno – 46,5 milhões de dólares em 2000 e 62,3 milhões de dólares em 2004, apresentando, neste ano, um crescimento anual de 4,5%, que compara com os 3,0 de performance registados em 2000). Também o rendimento “per capita” tem evidenciado uma evolução positiva, sendo de 390 dólares em 2004.

     É o sector dos serviços aquele que mais contribui, em termos de valor acrescentado, para o produto interno (já atingia 66,7% em 2003), apresentando uma progressão apreciável no contexto global da economia. A agricultura e a indústria têm visto decair sensivelmente o seu contributo (17,1% e 16,2% respectivamente em 2003). A economia do país é ainda muito dependente das importações (oriundas sobretudo da União Europeia com um lugar de destaque para Portugal): as importações de bens e serviços superam os 90% do produto interno e as exportações atingem quase 40% do mesmo.

     As autoridades de S. Tomé vêm fazendo um esforço apreciável para melhorar infra-estruturas e equipamentos básicos, sobretudo na saúde, educação e rede de transportes. A esperança de vida da população vem aumentando gradualmente (era de 58 anos em 1980 para os homens e de 61 anos para as mulheres, passando, em 2004, para 62 e 64 anos respectivamente). As despesas de saúde “per capita” atingem os 93 dólares e representam 8,6% do produto interno. Não existem casos de HIV, um flagelo que atinge a maior parte do continente africano, nesta pequena república. O Governo tem procurado incrementar a taxa de escolaridade e o nível de formação dos activos. No que respeita à rede de transportes o aeroporto de São Tomé recebe os grandes voos comerciais, existindo, em cada uma das ilhas, um aeródromo. A rede fixa de estradas perfaz fora das localidades um total de 117 km (desses 110 km São Tomé, Príncipe).

    O que mais sobressai na economia de S. Tomé é o aumento rápido do investimento directo estrangeiro ao longo dos últimos anos. Os fluxos líquidos de investimento estrangeiro passaram de 4 milhões de dólares em no ano 2.000 para 54 milhões de dólares em 2.004. O país apresenta um código de investimento estrangeiro muito apelativo, bem como interessantes indicadores no que respeita a condições de enquadramento e facilidade de comunicações: cerca de 80% dos residentes subscrevem assinaturas de telemóvel e a adesão à Internet é quase total.

    Para além das vantagens naturais de excepção (geográficas, climatéricas e ecológicas), S. Tomé e Príncipe apresenta uma outra vantagem de relevo para a captação de investimento e desenvolvimento económico: uma situação política deveras estável. Com efeito, a existência de uma democracia parlamentar assegura um enquadramento e uma estabilidade políticas muito favoráveis ao desenvolvimento de negócios com S. Tomé e Príncipe. Se as contingências de ascenção à independência nacional, em 12 de Julho de 1975, levaram S. Tomé e Príncipe a adoptar o modelo então prevalecente não só em África como generalizadamente na maioria dos países em desenvolvimento a
eleição, em Julho de 1975, da Assembleia representativa do povo de S. Tomé e Príncipe, com poderes constituintes e inserida em lugar cimeiro de entre os órgãos do poder do Estado, era prova inequívoca de que a aspiração do povo são-tomense era um regime verdadeiramente democrático.
      Volvidos quinze anos, viria a tornar-se realidade a instauração de um regime de democracia pluralista.